.: Projeto Solo-Planta:
Sistema de Análise de Solo e Planta - Ferramenta Tecnológica
ao Alcance do Produtor Rural
(Trabalho apresentado no XVII Seminário
de Extensão Universitária da Região Sul
(SEURS) realizado em novembro de 1999 em Cascavel (PR), e
publicado na Revista Em Extensão (Universidade Federal
de Uberlândia), v. 2, n.2, p. 45-52, novembro 2000.
Marcelo Ricardo de Lima (Prof. M.Sc. - Departamento
de Solos e Engenharia Agrícola da UFPR)
Beatriz Monte Serrat Prevedello (Profa. Dra.
- Departamento de Solo e Engenharia Agrícola da UFPR)
Luciano de Almeida (Prof. M.Sc. - Departamento
de Economia Rural e Extensão da UFPR)
RESUMO: Este projeto visa
promover a conscientização e a capacitação
e/ou atualização dos diferentes agentes envolvidos
na produção agropecuária com relação
à importância do sistema de análise de
solo, como ferramenta auxiliar para aumentar a capacidade
de gestão dos recursos naturais e dos insumos agrícolas,
e para ampliar a competitividade do produtor rural. Tem-se
como público alvo prioritário os produtores
da região metropolitana de Curitiba, usuários
da análise de solo e planta, especialmente aqueles
não atendidos pelos sistemas oficiais ou privados de
assistência técnica rural. Ao mesmo tempo atende
profissionais com atuação no sistema de análise
de solo e planta, e estudantes dos cursos de agronomia e engenharia
florestal. Estão sendo desenvolvidas as seguintes atividades:
atendimento à produtores num escritório onde
são recepcionadas e discutidas as demandas; prestação
do serviço de análise de solo e planta; capacitação
e orientação de produtores quanto à coleta
de amostras; análises e recomendações,
com visitas às propriedades para elaboração
de diagnósticos e discussão de alternativas
técnicas; realização de cursos de extensão
universitária para profissionais e estudantes na área
de diagnóstico da fertilidade e manejo de solos. Paralelamente
tem-se otimizado os serviços de análise de solo
e planta, e procurado articular as ações do
projeto com a formação acadêmica.
PALAVRAS CHAVE: Análise
de solo; Fertilidade do solo; Extensão rural.
Soil Plant Project: an analysis system
for soil and plant – a technological tool close to the
agricultural producer
ABSTRACT: This project aims
to aware the agricultural worker the importance of the soil
analysis system and, also, to qualify him to use this auxiliary
tool. With this, he will be able to magnify the management
capacity of natural resources, and to extend the competitiveness
of his product. The priority is, by now, to involve producers
of the metropolitan region of Curitiba, especially those that
can not afford for official or private systems of technical
support. One other feature of this project is to serve students
of agronomy, forest engineering and professionals that act
on this field. The following activities are being developed:
attendance of the producers in an office where the demands
are discussed; analysis of soil and plants; qualify and inform
producers how to collect samples; perform analyses and recommendations
for considering the use of alternatives techniques; accomplishment
of extension courses for professionals and students in the
area of soil fertility diagnosis and soil handling. At last,
the service of soil and plant analysis has been optimized,
and a close relation of its actions with the academic formation
has been tried.
KEY WORDS: Soil analysis;
Soil Fertility; Agricultural extension
INTRODUÇÃO
O sistema de análise do solo e planta
é uma importante ferramenta para garantir a sustentabilidade
da produção agrosilvipastorial, tanto pelo aspecto
da obtenção de melhores retornos econômicos
da utilização de insumos agrícolas, como
pela melhor utilização dos recursos naturais,
reduzindo os impactos dessas atividades sobre o meio ambiente.
O sistema de análise de solo e planta
é entendido neste projeto não somente como a
execução da análise propriamente dita,
mas como um sistema que envolve: coleta de amostras representativas
e envio adequado ao laboratório, procedimentos analíticos
laboratoriais, interpretação do laudo de análise
e recomendação, e adoção das recomendações
técnicas. Em cada uma dessas fases estão envolvidos
diversos atores desse processo, como o produtor rural (coleta
e envio das amostras; adoção das recomendações
técnicas), engenheiros agrônomos e florestais
(interpretação e recomendação),
laboratórios (procedimentos analíticos), mercado
varejista de insumos (fornecimento de fertilizantes e corretivos),
agentes financeiros (financiamento da produção
primária), e universidade (formadora de profissionais
e geradora de tecnologia).
Apesar do sistema de análise de solo
e planta não se caracterizar em uma tecnologia recente,
ele está em contínua evolução
em função dos avanços da pesquisa, muito
embora a extensão para os agentes envolvidos nem sempre
acompanhe essa evolução. Deve-se ter em vista
que "a extensão é um serviço permanente
porque sempre haverão inovações para
serem divulgadas" (OLINGER, 1998: 07). Além disto,
é evidente que as instituições públicas
e privadas que prestam serviços semelhantes não
atendem nem a todos os segmentos de agricultores nem a crescente
demanda por serviços e orientação de
qualidade. Nesse particular, a Universidade pode exercitar
seu papel social, procurando levar a conscientização
a cada um dos atores do sistema, a qualificação
aos produtores rurais, ou ainda a formação continuada
aos profissionais. A Universidade pode contribuir de modo
complementar com outros agentes sociais responsáveis
pela divulgação e extensão de serviços
e tecnologias à produtores e profissionais. Nesse sentido,
OLINGER (1998: 108) aponta que "uma solução
possível para a sustentabilidade da extensão
rural seria sua inclusão no sistema universitário,
fazendo parte integrante dos seus serviços básicos
de ensino e pesquisa".
O presente projeto de extensão universitária
tem por objetivos: a) Promover a conscientização
dos diferentes agentes envolvidos, com relação
à importância do sistema de análise de
solo e planta; b) Promover a capacitação do
produtor rural para a adequada retirada e envio de amostras
de solo e planta, bem como a correta adoção
das recomendações técnicas; c) Oferecer
educação continuada a engenheiros agrônomos
e florestais que atuam na prestação de assistência
técnica; d) Divulgação e melhoria do
serviço de análise de solo e planta; e) Aperfeiçoar
a formação dos graduandos de agronomia e engenharia
florestal, através do contato com a realidade rural.
METODOLOGIA
Recepção e triagem das
demandas
Este trabalho foi executado por alunos bolsistas,
e servidores docentes e técnico administrativos, que
procuravam atender demandas que chegavam ao projeto através
de diversos meios (telefone, balcão de recepção
de amostras, Escritório de Atendimento ao Público,
e e-mail), oriundas de produtores rurais e profissionais.
Através desta triagem as diferentes demandas (treinamento
e informação, serviços de análise
de solo e planta, necessidades técnicas, etc.) eram
encaminhadas dentro do projeto ou para outra instituição.
Divulgação da análise
de solo e planta
Este trabalho envolveu a divulgação
da importância da análise de solo e planta para
a maximização da utilização do
solo e dos insumos agrícolas, bem como informação
para correta coleta de amostras de solo e planta para análise.
Esta divulgação foi realizada através
de diversos meios, como imprensa, produção e
distribuição de folders, home page na internet,
e informação pessoal ou telefônica.
Prestação do serviço
de análise de solo e planta
Esta fase do projeto envolveu a recepção
de amostras de solo e planta, preparo das amostras para análise,
extração e determinações analíticas,
digitação e entrega dos laudos de análise.
A prestação de serviços envolveu diversos
laboratórios do Departamento de Solos da Universidade
Federal do Paraná (UFPR).
Durante o ano de 1999 houve um esforço
considerável no sentido de não somente oferecer
o serviço de análise de solo e planta em volume
suficiente para atender a demanda crescente, como também
melhorar a eficiência e abrangência destes serviços.
Escritório de Atendimento ao Público
Foi alocado um espaço físico
para as atividades dos bolsistas, atendimento à comunidade,
organização e arquivo. O atendimento à
comunidade no Escritório do Atendimento ao Público
envolvia:
a) formação de produtores rurais para a correta
retirada de amostra de solo e planta;
b) inscrição dos profissionais e estudantes
em cursos de extensão universitária;
c) atendimento pessoal ou telefônico de produtores rurais
e profissionais com relação à dúvidas
específicas sobre o sistema de análise de solo
e planta;
d) participação dos produtores rurais, bolsistas
e professores na produção de recomendações
técnicas de fertilidade e manejo do solo.
A metodologia adotada na produção
de recomendações técnicas seguia a seguinte
seqüência: qualificação do produtor
para correta retirada de amostra e adequada análise
a ser solicitada; discussão entre o produtor e o bolsista
visando elucidar a realidade do produtor e de seu sistema
de produção; pesquisa por parte do aluno das
opções de recomendações com consulta
periódica ao produtor; discussão com o professor
sobre as conclusões obtidas; elaboração
do laudo de recomendação; discussão com
o produtor rural sobre a possibilidade de adoção
das recomendações técnicas.
Avaliação do projeto
Os cursos de extensão tiveram procedimentos
de avaliação específicos, através
do preenchimento de formulários pelos participantes
dos cursos, tabulação dos resultados, e reuniões
de discussão com bolsistas e professores para readequação
dos cursos.
No final do primeiro ano do projeto foram
discutidas as atividades executadas, procurando estabelecer
comparações entre as metas propostas e atingidas,
bem como estabelecidas atividades para a continuidade do projeto
no ano 2000.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Com relação à divulgação
da análise de solo e planta, foi desenvolvida a home
page (www.agrarias.ufpr.br/~soloplan) por professores e bolsistas,
a qual está em contínua atualização,
tendo recebido mais de 2600 acessos até o presente
momento. Além disso, foi elaborado e distribuído
um folder intitulado "Como coletar amostras de solos
para análises químicas e físicas",
o qual serviu de instrumento de apoio às atividades
extensionistas do projeto. Na elaboração do
folder houve preocupação de se estabelecer uma
linguagem apropriada aos produtores rurais.
No ano de 1999, foram realizadas 4298 análises
químicas de solo e 1756 análises granulométricas
de solo. O número total de clientes atendidos foi de
899, sendo a maior parte micro a médios produtores
rurais, caracterizando a importância social deste tipo
de prestação de serviço. Os serviços
de análise química prestados foram avaliados
pela Comissão Estadual de Laboratórios de Análises
Agronômicas (CELA), a qual concedeu a qualificação
"muito bom" no ano de 1999. Foi realizado um significativo
investimento na informatização dos procedimentos
permitindo maior eficiência do processo, melhorando
a qualidade visual e confiabilidade dos resultados, e possibilitando
a criação de um banco de dados que pode constituir
fonte de informação à pesquisa e à
extensão. Houve reformas do espaço físico
dos laboratórios e adoção de novas metodologias
analíticas, além de investimentos na aquisição
e manutenção de equipamentos.
No Escritório de Atendimento ao Público,
uma das principais demandas dos produtores rurais era a informação
referente a correta coleta de amostras de solo e planta para
análise, e a principal demanda dos técnicos
era relativa a informações sobre unidades utilizadas
nas análises e interpretação dos resultados.
Trinta e cinco produtores rurais participaram
no processo de produção de recomendações
técnicas, ressaltando-se que o procedimento adotado
não se limitava a um mero processo mecânico de
elaboração de laudos. Tem sido estimulada a
participação e o comprometimento do produtor
rural nas diversas fases do trabalho: desde o diagnóstico,
com a coleta e interpretação de informações,
até a elaboração de recomendações.
Essa participação permite que as orientações
sejam compatíveis com a realidade e interesses do produtor
e, ao mesmo tempo, transforma procedimentos de troca de informações
num processo de capacitação mútua. Procurou-se
assim privilegiar um enfoque participativo e educativo. Este
processo procurou privilegiar uma abordagem sistêmica
e interdisciplinar da produção rural, bem como
um enfoque participativo e educativo no processo de discussão
com o produtor rural. Esta preocupação do projeto
parte do pressuposto de que "o primeiro passo de um educador
na busca da prática educacional superadora será
ouvir este homem do campo para compreender/apreender"
(FONSECA, 1985: 184). Havia um comprometimento do produtor
rural no fornecimento de informações, participação
na elaboração de recomendações
adequadas à sua realidade e interesse na adoção
das recomendações técnicas.
O serviço de assessoramento deste
projeto procurou valorizar e compreender as distintas lógicas
de gestão e os processos de decisão dos agricultores
que orientam suas escolhas técnicas. Parte-se do princípio
que distintos tipos de agricultores possuem racionalidades
sócio-econômicas distintas, que orientam escolha
diferentes em matéria de culturas, técnicas,
práticas agrícolas e econômicas. Assim
não existem técnicas ou orientações
que possam ser difundidas de forma homogênea, mas técnicas
apropriadas a distintos agricultores, com hierarquias de problemas
específicas, disponibilidade de recursos e lógicas
de gestão próprios.
Quanto ao processo de decisão, como
ressaltam LIMA et al. (1995: 49), "o agricultor é
levado a tomar e implementar uma série de decisões
em níveis e escalas de tempo diferentes, relativas
à produção, decisões de investimento,
e de utilização de recursos". Portanto,
é necessário que tanto o bolsista como o professor
compreendam que as decisões do produtor seguem coerência
e racionalidade peculiares.
Durante todo o processo o produtor rural
era continuamente consultado, havendo um processo de interação
e troca de experiências entre produtor–bolsista–professor,
o qual enriqueceu todas as partes envolvidas. Tinha-se em
vista que "o trabalho do profissional educador não
pode limitar-se apenas à esfera da substituição
dos procedimentos empíricos do agricultor por suas
técnicas" (FREIRE, 1992: 55). Isto se contrapõe
ao modelo clássico difusionista da extensão
rural onde predomina "um exagerado entusiasmo fundado
na idéia de que era necessário informar e persuadir
os agricultores a adotarem melhores práticas agrícolas
para se conseguir um aumento significativo na produção"
(FONSECA, 1985: 41). Neste projeto os bolsistas foram dissuadidos
a raciocinar de tal forma.
Esta abordagem, trouxe inovação
à produção da recomendação
de fertilidade e manejo do solo, e contribuiu para o crescimento
do bolsista e do produtor rural, com evidente inserção
do professor na realidade e seus efeitos na prática
pedagógica diária deste em sala de aula. Este
momento parece ser muito importante pois "a Universidade
leva à sociedade o seu conhecimento e traz dessa sociedade
os variados tipos de saberes. É a visão de mão
dupla e integradora que nos apresenta o educador, em substituição
à postura de mão única e dominadora"
(RODRIGUES, 1999: 49).
No aspecto da formação do aluno,
a participação no projeto foi relevante para
complementar sua formação profissional sobretudo
na área de extensão. O projeto criou um rico
espaço de formação em serviço
que ampliou a capacitação sobre métodos
de extensão, meios de comunicação, levantamento
da realidade, entre outros conceitos e técnicas da
extensão. O desempenho e os relatórios dos bolsistas
mostraram que a participação em projetos de
extensão dessa natureza pode ser fundamental para complementar
o aprendizado quando este se limita aos procedimentos clássicos
de ensino.
Foram realizados no ano de 1999 dois cursos
de "Diagnóstico da Fertilidade e Manejo dos Solos
Agrícolas e Florestais", os quais reuniram 50
participantes, entre Engenheiros Agrônomos, Engenheiros
Florestais e estudantes. No primeiro curso de extensão
foram estudadas duas propriedades rurais, que apresentavam
sistemas de produção e realidades distintas,
baseadas na produção olerícola. Enquanto
no segundo curso foi estudada uma propriedade rural cujo sistema
produtivo onde havia intensa integração entre
a produção vegetal e animal, com base em princípios
orgânicos.
A característica fundamental desenvolvida
nestes cursos foi um trabalho baseado em estudos de caso,
de característica interdisciplinar e interprofissional,
que envolveu professores e bolsistas na sua elaboração,
tendo como fundo a utilização do enfoque sistêmico
em um estudo integrado de fertilidade e manejo do solo. Deve-se
observar que "a unidade de produção agropecuária
é um sistema aberto que mantém relações
com o meio ambiente físico, socioeconômico e
cultural" (LIMA et al., 1995: 45). Portanto, a incorporação
da abordagem sistêmica aos cursos foi importante pois
"o agrônomo não pode pensar do ponto de
vista de resolver apenas uma parte do sistema. É necessário
que compreenda todo o sistema, para que, então, ele
possa ter uma intervenção eficaz do ponto de
vista da permanência do processo de desenvolvimento"
(LIMA, 1997: 185). Os cursos geraram vários resultados
como: produção de conhecimento sistematizado
em apostilas (SIRTOLI et al., 1999); produção
de pesquisa de sistema de produção agrícola
com enfoque no manejo e fertilidade do solo nas propriedades
estudadas nos cursos; produção de diagnósticos
e recomendações técnicas para os produtores
rurais que gerenciam as propriedades agrícolas estudadas
nos cursos; treinamento dos bolsistas envolvidos no projeto
de extensão; e treinamento e atualização
de profissionais que atuam ou virão a atuar no mercado
de trabalho com produtores rurais. É relevante ressaltar
que "o agente da extensão que não se atualiza
transforma-se em um agente obsoleto e inútil"
(OLINGER, 1999: 111).
Nestes cursos os participantes puderam observar
que "o trabalho do profissional como educador não
se esgota e não deve esgotar-se no domínio da
técnica, pois que esta não existe sem os homens
e estes não existem fora da história, fora da
realidade que devem transformar" (FREIRE, 1992: 49).
As avaliações escritas realizadas pelos participantes
dos cursos mostraram que os mesmos valorizaram tal instrumentação
fornecida no curso.
Este projeto de extensão permitiu
a participação dos professores em uma atividade
que possui característica interdepartamental, interdisciplinar
e interprofissional. Esta experiência não só
produziu novos materiais didáticos que mesclam os conhecimentos
destas diferentes áreas, como também permitiu
o exercício da interdisciplinariedade, muito útil
à formação dos professores e à
mudança de seu próprio comportamento frente
às suas atividades didáticas. Segundo RODRIGUES
E MANCUZO (1999: 23), "no campo da ciência, o termo
interdisciplinaridade está relacionado com a necessidade
de superar a visão seccionada da produção
do conhecimento buscando articular coerentemente os inúmeros
aspectos da experiência humana. Vemos assim que (...)
a interdisciplinaridade tem como pretensão exceder
a visão restrita de mundo e buscar a compreensão
de nossa intrincada realidade". Este processo foi observado
principalmente na preparação e execução
dos cursos de extensão universitária, nos quais
havia uma intensa interação entre as diferentes
áreas do conhecimento agrário.
O imperativo de responder a necessidades
específicas de situações reais cria um
"locus" privilegiado de produção e
troca de conhecimentos. Quando a extensão se converte
em ações de desenvolvimento concretas, os participantes
institucionais, sejam alunos ou docentes, não podem
mais se proteger sob o manto limitado das disciplinas.
Como afirma RAYNAUT (1998) as ações
de desenvolvimento levantam necessariamente problemas, cuja
resolução exige expressa colaboração
entre as disciplinas. É nessa perspectiva que se está
tentando construir a interdisciplinariedade.
Continuamente vinculado à tal produção
do conhecimento, cada demanda gerada pela comunidade que procurava
o projeto, exigia a busca de informações de
pesquisa gerada no âmbito da UFPR ou de outras instituições.
Colocou-se, desta forma, "uma das relevantes tarefas
da Universidade, posta no sentido de reafirmar sua tradição,
qual seja, a de promover a articulação de ensino
com a pesquisa tendo a ciência e tecnologia como elementos
facilitadores de promoção e desenvolvimento"
(RODRIGUES, 1999: 42).
O projeto foi um importante espaço
para desenvolvimento de metodologias que permitissem a aplicação
de conceitos de estudos de sistemas de produção
agrícola, em situações concretas e reais.
Este particular foi um dos grandes avanços proporcionados,
visto que conduziu a um processo de pesquisa dinâmico,
visando a produção de um conhecimento que não
era sistematizado.
CONCLUSÕES
A maioria das metas propostas no projeto
foram plenamente atingidas, inclusive em alguns casos, muito
além da expectativa inicial, tanto do ponto de vista
qualitativo e quantitativo, como em relação
à antecipação temporal das atividades.
Os resultados alcançados puderam claramente caracterizar
o projeto como efetiva prática extensionista.
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